SALADA CAPRESE uma comida tão humana que tem pele ao invés de casca

A Letônia ama Flow

Uma nação inteira de olho na cerimônia do Oscar este ano. O país, que nunca levou um prêmio, vai acompanhar a premiação de 2025 como se fosse um jogo de Copa do Mundo, torcendo pelas vitórias, incluindo um possível inédito Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. E chances tem, visto uma recente conquista de um globo de ouro. É claro que a estrela de seu filme conquistou o coração da imprensa internacional – e é amada por todo o país.

O parágrafo acima, que poderia muito bem se referir ao Brasil e à nossa torcida pela Fernanda Torres com o filme Ainda Estou Aqui, retrata também o sentimento na Letônia, um pequeno pedaço de terra espremido entre Lituânia e Estônia, na tríade de países que compõem os bálticos. Com uma população de 1.8 milhões de pessoas (mais ou menos o equivalente à cidade de Curitiba), o filme Flow é um sucesso total. De crítica e público.

Flow já é o filme mais assistido da história da Letônia. Não tem nem para Avatar e nem para Vingadores. Foram vendidos mais de 300 mil ingressos em incríveis 23 semanas em cartaz. Estima-se que 16.000 pessoas passaram este mês pelo Museu Nacional de Arte da Letônia só para apreciar o Globo de Ouro que o filme ganhou na categoria Melhor Animação, batendo estúdios consagrados como Dreamworks (Robô Selvagem), Disney (Moana 2), e Pixar (Divertidamente 2).

Globo de Ouro no museu de artes da Letônia (Mākslas muzeji, como eles chamam por lá)

Projeto-paixão

O feito é mais grandioso ainda pelo (pequeno) tamanho do projeto. Ele foi feito em Blender, um software de animação 100% gratuito e com um time extremamente reduzido. Gints Zilbalodis, diretor, roteirista, animador, produtor, produtor executivo, (enfim, o faz-tudo do projeto) disse em entrevista que a equipe do filme cabia toda em uma sala, variando entre 15 e 20 pessoas, mas normalmente com apenas cinco profissionais dedicados.

Mesmo com o sucesso, o diretor não quer saber de abandonar a Letônia. Depois de Flow, o investimento no setor de animação disparou nos países bálticos. E ele já tem planos para um novo filme. Nada de uma seqüência felina, dessa vez Gints Zilbadlodis quer um filme com diálogos, veja a ousadia.

A Letônia agradece. O gatinho de Flow ganhou uma escultura na capital Riga. Pôsteres de grafites do filme se espalharam em todos os lugares do país. E o povo está imensamente ansioso com a premiação. Sabemos o sentimento.

Esse é só mais um exemplo de como a cerimônia do Oscar está sendo aguardada de formas diferentes e inéditas em vários países do mundo. É para Flow que vai minha torcida este ano na categoria de animação. Já em Melhor Filme Estrangeiro, não dá para não torcer para o prêmio acabar indo para um país um pouco mais tropical.

Confira a crítica de Flow aqui.

Autor:
Barão do Principado de Sealand. Com uma inexplicável paixão por cinema, cervejas e queijos.