SALADA CAPRESE garçom, este gazpacho me foi servido frio

Robô Selvagem

Em uma cena de “Robô Selvagem“, um bando de gansos (também chamado de gansaral) segue sua corrente migratória por cima da cidade de San Francisco. Só é possível reconhecer a cidade por conta da Golden Gate, a icônica ponte que nessa cena aparece submersa, com baleias nadando alegremente por cima de suas pistas.

A visão da ponte debaixo d’água é a única pista que o filme deixa para indicar que estamos vendo uma história em um futuro aparentemente não tão distante e não tão agradável. A cena de pouquíssimos segundos é a que mais tomou conta da minha cabeça depois de ver o filme. O que diabos teria acontecido com o mundo?

A Golden Gate Bridge se ergue 67 metros acima do nível do mar. Uma baleia consegue ter cerca de cinco metros de altura. Além da sua própria altura, ela precisa de um certo espaço para poder nadar; numa visão conservadora, podemos estipular uma altura da água acima da pista de cerca de 10 metros – o que vai de encontro com a profundidade dos tanques de água onde ficam as orcas nos parques da Sea World. Dadas essas estimativas, podemos assumir que, para cobrir a ponte, os oceanos subiram cerca de 80 metros.

Para tal elevação oceânica, algo bem sério ocorreu. Se todo o gelo da Antartica derretesse, a expectativa seria um aumento no nível oceânico de 58 metros. Além da Antartica, o derretimento das calotas polares da Groenlândia e de outras geleiras pelo mundo, fariam o oceano subir cerca de 70 metros. Uma elevação oceânica de 80 metros só pode ter sido uma cagada muito grande em algum lugar, tipo uma movimentação tectônica submersa ou algo do tipo.

Os estragos seriam grandes. De acordo com o floodmap.net, seria o suficiente para afundar toda a Holanda e Dinamarca, além de metade da Bélgica. A Flórida inteira ia pro saco, adeus Mickey (não à toa, o filme é da Dreamworks). New York viraria um daqueles cenários de filme apocalíptico, com prédios se espetando acima da água e só. Mas nem tudo seria tragédia: a família paulista ia se livrar dessa responsabilidade de passar feriado na Praia Grande além de poder apreciar lá de cima o Rio de Janeiro sendo devorado pelo oceano.

A outra hipótese possível é que a falha de San Andreas decidiu dar uma balançadinha e afundou a California. Isso levaria a cidade inteira para baixo ao invés de levar o mar para cima, estragando só aquela região, mas salvando o povo holandês da extinção. Apesar de menos catastrófica, é um pouco difícil acreditar que uma tragédia dessas tenha acontecido e a Golden Gate permanecido de pé depois de tudo isso.

Só nos resta conjecturar, uma vez que o filme nem encosta nesse assunto e nem precisa. Os humanos praticamente não aparecem, e a gente pode apreciar o simpático robô Roz (roboa? qual o feminino de robô?) interagindo com animais selvagens no meio da selva. A história sobre maternidade e pertencimento é linda e tocante. A animação é de uma qualidade praticamente impecável, com uma textura semelhante àquela usada em “O Gato de Botas”. A trilha sonora é perfeita para dar a emoção certa no momento certo.

Robô Selvagem é a melhor animação do ano. Lembra das ótimas animações da Pixar, da época que a Pixar fazia ótimas animações. Eu gostei tanto que poderia simplesmente passar cinco parágrafos me acabando em elogios ao filme, ao invés de me esforçar tanto em cálculos matemáticos inúteis que não trouxeram minha crítica a lugar nenhum.

Autor:
Barão do Principado de Sealand. Com uma inexplicável paixão por cinema, cervejas e queijos.