A todo cidadão cabe a obrigação de celebrar toda vez que um político corrupto vai preso. Não importa o espectro político do bandido, quando ele vai em cana, é motivo para soltar fogos e encher a cara, de preferência com a cerveja paga pelo dono do puteiro.
Mas a realidade é que político, quando vai preso, não é aquele terror todo de penitenciária que a gente imagina. Salvo raras exceções (oi, Nelson Mandela), geralmente político fica preso com um punhado de mordomias. Hitler, por exemplo, não só escreveu um livro inteiro da cadeia, como tinha seu próprio cozinheiro vegetariano pessoal. Até o Lula pegava mais mulher na cadeia do que eu pego fora dela.
O filme chileno “Penal Cordillera“, que chega aqui como “Prisão nos Andes” mostra que lá no Chile a situação não era tão diferente assim. Retratando o encarceramento de cinco torturadores lacaios do Pinochet, o que é mostrado é menos uma prisão e mais uma mansão com piscina, jardins, lindas vistas para os Andes e outras tantas mordomias. Muitas delas fornecidas pelos próprios guardas que, estes sim, pareciam os verdadeiros presos do local, tendo que se submeter à vontade de seus poderosos encarcerados.
Como não poderia deixar de ser, o filme é revoltante, principalmente para o povo latino daqui, não só que conheceu essa realidade ditatorial da segunda metade do século passado, mas também que vê esse bando de velho branco corrupto que domina nossa política. E político latino parece tudo a mesma coisa no final.
A nós, só resta continuar torcendo para político ir para cadeia.