A Netflix ficou conhecida por seu conteúdo de qualidade duvidosa, em especial aqueles filmes que parecem produzidos por um algoritmo. A regra é simples: pega um tema comum, mete meia meia dúzia de nomes relevantes, umas cenas de ação genérica, um tempo de duração mais longo do que devia e pimba: tem-se um enlatado pronto para sumir no catálogo e nunca mais ser visto daqui a duas semanas.
“Red One”, que chega ao Brasil com o nome de “Operação Natal” parece demais um enlatado de Netflix gerado por algoritmo. Mas que pode ser visto no cinema, como a Netflix jamais deixaria.
Dada essa introdução, duas coisas não surpreendem: que o filme seja produzido pela MGM/Amazon, e que sua data de estréia seja já no meio de novembro, bem antes do que os filmes de natal costumam ser lançados. Isso deve ser para que ele passe um tempinho no cinema antes que a Amazon jogue a película no Prime, aí sim lá pela época das festividades natalinas.
Apesar de um filme natalino, ele tenta se vender como uma comédia de ação. Infelizmente, tanto a comédia quanto a ação são um tanto fracos. A idéia de um filme de ação natalino é boa e já foi explorada antes, como no divertido Violent Night, de 2022. Mas, dessa vez, o excelente (e ultra-bombado) JK Simmons parece desperdiçado como Papai Noel. Chris Evans e The Rock têm uma química legal, por puro mérito dos atores, mas é só. O enredo do filme é qualquer coisa, meio escrito por um chat GPT que tivesse sido treinado com os planos de dominação mundial do Pinky e Cérebro para inspirar o vilão. Há até elementos de filmes de herói, como um Pólo Norte que remete um tanto a Wakanda; e uma obsessão de diversos personagens com listas, que faria Schindler pedir calma.
Operação Natal é um potencial desperdiçado. Fora de timing de lançamento e longo demais para uma direção tão fraca. Por sorte, o potencial nem era lá grandes coisas, então tudo bem.