SALADA CAPRESE I'm gonna make him a pizza he cannot refuse

O Senhor dos Anéis: A Guerra dos Rohirrim

A parte nerdola da minha geração tinha surtos de ansiedade todo final de ano no começo deste século por conta da estréia anual de um filme do Senhor dos Anéis a cada dezembro. Para nós, entrar em uma sala de cinema em um dezembro vinte anos depois e ver o logo da franquia com a música épica da trilha sonora original vai ser com certeza arrepiante. Para mim foi.

Mas o entusiasmo antes de entrar na sala não era nem de perto o que já foi um dia. Talvez a culpa seja da Amazon Prime que, com sua série Anéis do Poder, fez um excelente trabalho em tirar dos nerds grande parte da empolgação existente em assistir novas adaptações da obra do Tolkien. O fato de ser uma pessoa que não gosta particularmente de animes não ajudou muito também.

É notório que a falta de expectativas costuma ser benéfica, principalmente para obras que contam com uma base de fãs já previamente estabelecida. Eu aproveitei dessa falta de empolgação para simplesmente curtir o filme com a mente aberta.

A Animação

Na parte da animação: os cenários são lindíssimos, os personagens marcantes e muito identificáveis. Mas a movimentação parece um tanto barata e preguiçosa. Não sempre: há lindas cenas de batalhas e lutas e ação. Com certeza a produção teve que escolher os pontos onde investir tempo e dinheiro e onde eles podiam simplesmente arrastar um gif pela tela torcendo pra ninguém prestar tanta atenção assim.

Mesmo assim, o visual e a animação não comprometem. Se alguém for assistir este filme esperando um Miyazaki, provavelmente sairá imensamente desapontado.

A Terra Média

Ainda em relação a colocar o dinheiro da animação no lugar certo, poder revisitar alguns locais da Terra Média soa quase como uma volta pra casa. Isso porque esses locais são tão bem trabalhados e detalhados na animação que o filme opta por dispensar a legenda ou o mapa: mesmo o fã mediano vai saber reconhecer os lugares onde a história principal se passa.

wow

Os cenários, em parceria com a música épica são uma combinação tão deliciosamente familiar que, quando soam as trombetas de Rohan, é impossível não ficar emocionado. Nesse aspecto, o filme sabe tocar onde vai nos atingir. E atinge.

A História

Mas, como aprendemos a duras penas desde O Hobbit, passando pela série (que é melhor não repetir o nome), nada disso faria sentido se a história não fosse amarradinha. Baseado em um detalhe de um dos infinitos apêndices da absurdamente gigantesca obra de Tolkien, o roteiro entrega um baita enredo. Eu, particularmente, não conhecia a história de Hera e Helm Mão-de-Martelo, e o filme realmente apresenta um heroísmo à altura do que a Terra Média merece.

A versão apresentada para a imprensa foi com a dublagem nacional, que é (como sempre), excelente. Com elogios colocados na parte certa e os defeitos diluídos onde a importância é menor, parece desnecessário dizer que eu gostei do filme. Como um fã de Tolkien e da obra cinematográfica original, é bom ver nossa casa sendo novamente tratada com respeito e carinho. “…A Guerra dos Rohirrim” talvez seja a melhor coisa de “O Senhor dos Anéis” desde “O Senhor dos Anéis”.

Apesar dos maus-tratos recentes, é possível dizer que sim, a Terra Média está de volta.

Autor:
Barão do Principado de Sealand. Com uma inexplicável paixão por cinema, cervejas e queijos.