Eu tenho uma relação conflituosa com Pedro Almodóvar. Consigo respeitar muito o cineasta, mas acho que ele ultrapassou uma linha em “A pele que habito” que é difícil voltar. Não que o filme seja ruim; muito pelo contrário: é tão bom e tão maluco que conseguiu mudar completamente a minha forma de ver os futuros filmes dele.
Seu novo filme, “O quarto ao lado“, por exemplo: é ótimo, mas me deixou constantemente esperando um momento maluco. A culpa é toda minha, eu sei: nada indica que o diretor ia fazer nada extravagante aqui.
O filme mesmo é de suas atrizes protagonistas: Juliane Moore e Tilda Swinton carregam a obra em suas costas e conseguem até fazer comédia em um tema tão sensível. As duas assentaram seu caminho até o Oscar e deixaram difícil a vida de Fernanda Torres: a disputa promete ser acirrada.
Já a história em geral, apesar de tudo, parece que se arrasta. Em certo momento, parece um react de Youtube, no qual vemos as protagonistas reagindo a filmes que elas assistem. Para mim não foi um problema: podia exibir mais e mais cenas completas do Buster Keaton que eu vou adorar.