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O Exorcismo

Onde foi que perdemos o Russell Crowe?

Ele apareceu discretamente, mas aos 35 anos, o sucesso chegou com tudo: três indicações ao Oscar de Melhor Ator, vencendo em 2001 por “Gladiador”. As outras indicações foram por “O Informante”, de 2000 e “Uma Mente Brilhante”, em 2002. Parecia que ele estava a caminho de se tornar um dos grandes nomes do cinema. Mas, depois disso, vieram filmes medianos e sem destaque que o afastaram do panteão de monstros sagrados da sétima arte.

E por que estou falando disso? “O Exorcismo” é um filme de terror genérico, com todos os elementos possíveis: suspense, tensão, um susto aqui e outro acolá, enfim. O puro suco do clichê em forma de possessão demoníaca. Mas não é um filme ruim. Cumpre até que bem seu papel dentro do gênero, mas nada além disso.

O problema é que não precisava de um Russell Crowe no elenco. Qualquer ator iniciante teria o mesmo resultado. O estúdio poderia ter economizado um bocado com o salário do protagonista.

Talvez a divulgação e o marketing fossem um pouco prejudicados, mas a questão é: a que ponto chegou a carreira do Russell Crowe para ele aceitar esse trabalho?

Afinal, o sucesso de um filme de possessão demoníaca não se mede pelo seu elenco, custo ou bilheteria, mas sim pelas tragédias ou eventos estranhos que acontecem durante as gravações ou após seu lançamento.

No clássico “O Exorcista” de 1973, por exemplo, o estúdio pegou fogo misteriosamente durante as filmagens, mas o quarto da protagonista possuída, Regan, saiu ileso. Outros filmes do gênero também tiveram eventos sinistros como mortes misteriosas, coincidência bizarras e estranhas aparições. “O Bebê de Rosemary”, “O Exorcismo de Emily Rose”, “Annabelle” e “Poltergeist” são bons exemplos.

Mas o que fica de assustador mesmo em “O Exorcismo” é o declínio da carreira do Russell Crowe.

P.S.: Se o Russell Crowe morrer misteriosamente nas próximas semanas, eu volto aqui para corrigir esta crítica e nomear “O Exorcismo” um clássico imortal do cinema.

Designer, beatlemaníaco e colecionador de baralhos. Atualmente atua como assistidor profissional de filmes repetidos.