SALADA CAPRESE I love the smell of tomatoes in the morning.

O Clube das Mulheres de Negócios

Há uma lenda em Hollywood (cai mais para uma meia-verdade), de que Spielberg, quando foi filmar Tubarão, odiou o robô que foi construído para aparecer nas telas como o monstro principal do filme. Sem tempo e nem dinheiro para construir algo melhor, a solução foi esconder o máximo possível o “protagonista”, criando um filme de tubarão no qual o tubarão mal aparece – e um filme cuja qualidade perdura até hoje.

Faltou à Anna Muylaert, diretora de “O Clube das Mulheres de Negócios” essa astúcia para dar uma camuflada nas péssimas onças digitais que são peças importantes da história de seu novo filme – mas ainda não tão importantes quanto um tubarão em um filme chamado “Tubarão”.

E esse não é nem o maior erro de sua nova obra. O filme, com uma premissa interessante e diferente, tinha tudo para ser no mínimo divertido, mas a completa insegurança da diretora, junto com o seu aterrorizante medo de que a audiência não sacasse a metáfora óbvia central, fez com que ela repetisse a solução diversas vezes no decorrer do filme, até a última cena.

Nada é pior em um roteiro do que ele contar à audiência algo que ela já sabe.

Deve ter sido esse medo de ser incompreendida e cancelada que fez Muylaert a cada cena bradar a plenos pulmões “Olha aqui, pessoal, isso é uma metáfora, vocês estão entendendo? Não é assim, eu tô só imaginando como seria se fosse“. Uma pena. Mas talvez não seja o primeiro filme que o medo do cancelamento de seus executores estrague.

A lição que fica é: não tem problema nenhum fazer um roteiro burro, a não ser quando que você queira que ele se passe por uma obra inteligente. Quando isso acontece, a queda é grande.

Autor:
Barão do Principado de Sealand. Com uma inexplicável paixão por cinema, cervejas e queijos.