Dá pra fazer muita coisa em três horas e meia. Dá para assistir “uma cilada para Roger Rabbit” duas vezes. Dá para correr uma maratona, se você for um corredor profissional. Dá para ver a primeira e a segunda temporadas de Homem Pássaro Advogado, clássico do Adult Swim dos anos 90. E dá para assistir “O Brutalista”.
O gigantesco filme já chegou com estardalhaço na temporada de premiações, levando o Globo de Ouro de melhor drama. E não é só isso que o coloca como um dos favoritos no Oscar deste ano.
Oscar bait
Um filme “Oscar bait” é aqueles que são praticamente produzidos para ganhar prêmios. Ninguém tem paciência pra pagar para ficar 4 horas numa sala de cinema, mas quando você produz uma obra que tem tudo para levar o maior prêmio da indústria cinematográfica, aparece um monte de maluco (como eu) topando essa aventura.
Também quer dizer que o filme tende a ser um pouco mais denso. Vai ter uns nomes de peso no elenco. No caso de “O Brutalista”, o protagonista é o já ganhador do Oscar Adrien Brody. Vai ter um roteiro mais épico. E, quem sabe, um tema mais atual.
No caso, o tema deste é a imigração. Em meio à todas as polêmicas americanas, com as declarações e atos anti-imigratórios, o filme toma lados desde a primeira cena, que mostra um navio de europeus chegando em New York. E eles trabalham em tudo: de produção de móveis, na mineração de carvão, na construção. O filme não nos deixa esquecer que os Estados Unidos é um país formado pela imigração – e que maltratou demais o pessoal que chegou por lá em busca de uma vida melhor.
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Longo demais para ser ótimo
Entre as grandes chances do filme no Oscar, destacam-se a cinematografia, o design de produção e a trilha sonora. Adrien Brody também está bem demais para não estar entre os favoritos. A direção também concorre e é ótima. Brady Cobert abusa de planos seqüência bem planejados. Por vezes, quando uma tomada parece que já exaurida, ele segura a câmera na cena por mais tempo.
E, com tudo isso, é claro que ele chega bem cotado para disputar o Melhor Filme. A campanha de marketing no Brasil já foi muito bem feita: um café da manhã de menu húngaro seguido de um brunch de menu americano no intervalo.
Ah, sim: o filme tem 15 minutos de intervalo, de fábrica. Bom para dar umas esticadas nas pernas e esvaziar a bexiga, porque ele é longo. Longo demais. Muito mais do que devia. Com isso, apesar de uma película aprazível, especialmente em sua direção, acaba sendo muito cansativo.
É um bom filme, mas acho que eu preferia mesmo assistir “Uma cilada para Roger Rabbit” duas vezes.