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Beetlejuice Beetlejuice

O filme “Beetlejuice – Os fantasmas se divertem”, de 1988, é um compreensível fenômeno. Antes da estréia da nova película do fantasma amalucado, assisti ao original e o filme ainda é divertidíssimo: o conceito de burocracia pós-morte ainda funciona e ele abusa da estética Halloween que virou a marca registrada do Tim Burton.

Já se vão trinta e seis anos desde o primeiro filme e ainda é surpreendente a força do fandom de Beetlejuice. A cabine de imprensa, que aconteceu nesta terça-feira, 04 de setembro, contou com uma infinidade de ternos listrados em preto e branco, perucas verdes e alguns cosplays até ridiculamente ousados, parte de uma ação da Warner para o lançamento do filme – algo nada usual em cabines de imprensa, mesmo dos filmes mais badalados.

A tática do estúdio parece que funcionou. Eu realmente acredito que a aposta de Beetlejuice 2 vai trazer bons frutos, mesmo com o gigantesco nome “Os fantasmas ainda se divertem – Beetlejuice Beetlejuice”, tradução meio atrapalhada de “Beetlejuice Beetlejuice”, que já é um título muito peculiar mesmo. Isso porque o filme tem tudo que o primeiro tem: uma humor sutil, mas 100% presente; uma história tontinha, de soluções simplórias; um Michael Keaton totalmente amalucado; Winona Ryder gótica; músicas marcantes; e um jeitão de Beetlejuice que só Beetlejuice consegue ter.

O filme tem aquele clima de Mansão Mal-Assombrada de parque de diversão, que parece uma coisa tosca, mas é muito difícil reproduzir – e a prova disso é que a Disney mesmo já tentou passar essa idéia em dois filmes e não conseguiu. É a música, o design de personagens exagerado, os cenários extremamente criativos. Tá tudo lá em Beetlejuice 2.

E mais legal do que fazer a gente parecer que tá numa atração do Magic Kingdom é deixar a idéia de que estamos assistindo um filme dos anos 80. Há um respeito e uma admiração tão grande pelo filme original que várias decisões remetem, não só a ele, mas ao filmes Sessão da Tarde dos anos 80. E isso é Tim Burton em seu melhor: as músicas, atuações, maquiagens, figurinos, câmeras, e efeitos especiais parecem extremamente ultrapassados para um cinema moderno; e essa afirmação é feita com o maior elogio possível.

Os efeitos especiais, baseados em máscaras prostéticas e bonecos de massinha é tosco e formidável na mesma proporção. O filme não tem aquela aparência de cenas de fundo verde e bonecos de CGI quase constante nas produções atuais. Como resultado, tudo parece palpável. E outra conseqüência se dá nos atores: todo mundo está claramente se divertindo demais fazendo esse filme.

Michael Keaton, Winona Ryder, e Catherine O’hara com certeza adoraram demais voltar para os papéis. Jenna Ortega é a gótica da vez, ela tinha obrigatoriamente que estar no filme (e não decepciona). Willem Dafoe parece outra escolha óbvia para um filme nesse estilo. Monica Bellucci tá no filme, já que tá namorando o Tim Burton – desnecessário dizer como esse cara tem bom gosto para mulher. E todos eles atuam exageradamente felizes, em danças e cantorias toscas (o filme tem um novo momento Banana Boat Day-O, como não poderia deixar de ter).

Com tudo isso, para quem é fã do Beetlejuice original, não tem o que não gostar em Beetlejuice 2. Ele mantém o charme e o estilo, sem uma desnecessária modernização. Pelo esmero dos fãs de um filme de 36 anos atrás, parece que não tinha muito o que aprimorar. Pelo que foi entregue, era exatamente isso que a gente queria.

Autor:
Barão do Principado de Sealand. Com uma inexplicável paixão por cinema, cervejas e queijos.