SALADA CAPRESE bloody Mary é melhor que gin tônica

A Garota da vez

Eu tenho o sonho (quase) platônico de me casar com Anna Kendrick. O “quase” é porque eu conheci alguém que conhece ela (o diretor Joe Swanberg, amigão do colaborador aqui do Salada Rodrigo Fernandes), então está nessa conexão minha esperança desse casamento ocorrer. Como homem perdidamente apaixonado que sou, é evidente que eu já vou acompanhar qualquer coisa que meu amor fizer com uma tendência a gostar também. E “A garota da vez” (Woman of the hour) não só tem a Anna Kendrick como é a sua grande estréia como diretora. E, pode ser o coraçãozinho aqui falando mais alto, mas o filme é legal à beça.

Eu nem sou um grande fã de true crime, mas é inegável que a história do serial killer Rodney Alcala é, no mínimo, curiosa. Isso porquê o assassino participou em 1978 de um programa de namoro na TV, tipo o “Vai dar Namoro” do Rodrigo Faro, mas com muito menos anões fantasiados. O filme intercala a história de crimes desse pilantra que jogava nas garotas esse papinho de “sou fotógrafo e adoraria fazer um ensaio com você”, típico dos esquerdo-machos atuais da Vila Madalena; com a história da própria participante feminina do programa de televisão, que escolheu de verdade o serial killer como melhor dos candidatos, tal qual é possível ver no episódio real do programa no youtube:

O curioso é que, quando participou do programa, Rodney Alcala já era um assassino. E o fato da mulher escolher o serial killer para namorar ao invés de qualquer um dos outros dois homens não é demérito nenhum da personagem, e sim de absolutamente todos os homens do mundo, todos babacas. Isso é explícito na direção e roteiro, que efetivamente colocam todas as figuras masculinas como ameaçadoras e estúpidas, mais ou menos como deve ser para qualquer mulher por aí mesmo.

Assim, o que parece um drama de crime, para qualquer mulher vai soar como um filme de terror — e no caso um subgênero bem aterrorizante de terror chamado “homens”. O personagem masculino menos babaca é um faxineiro, e nem vou defender ele tanto assim porque acho que faltou tempo de tela pra ele ser escroto.

Cheio de méritos de direção, edição e roteiro, o filme vai e volta em duas histórias diferentes com maestria, nunca ficando confuso. Tal qual qualquer coisa que ela faria, acompanharei com muito interesse a carreira de diretora de Anna Kendrick. Pode sim ser a paixão falando, mas ela é realmente uma garota da hora.

Autor:
Barão do Principado de Sealand. Com uma inexplicável paixão por cinema, cervejas e queijos.