Mais um lançamento da série “Eu não aguento mais cinebiografias musicais”.
Talvez o gênero tenha saturado em 2007, com a estréia de Walk Hard. Ela é uma paródia de cinebiografia musical tão boa e tão bem feita que ela viria a parodiar as cinebiografias que foram lançadas DEPOIS dela.
Parece que o segredo do sucesso do mundo da música é o mesmo pra todo mundo. Um misto de talento, uma grande dose de depressão e algumas drogas variadas. Pimba: o artista se afunda em dinheiro e tristeza.
Os mordomos
E desde o começo fica bem evidente como Maria Callas, a personagem-título, é rica. Sua mansão em Paris parece um cenário de um filme da Jane Austen, cheio de quadros de época, estátuas gregas e um piano que é movido de um lado para o outro constantemente.
E quem cuida são os mordomos Ferruccio e Bruna, as verdadeiras estrelas do filme.
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Chega a ser revoltante como uma decadente cantora de ópera que trata tão mal seus empregados é tão bem cuidada de volta por eles. Mais que empregados, os dois fazem tudo na vida de Maria Callas. São secretários, médicos, psicólogos, seguranças, empresários, companheiros. O que quer que aquela mulher ingrata precisasse, os dois estariam lá por ela.
E a Angelina?
Não sou particularmente fã de Angelina Jolie, mas ela está bem no filme. Não é uma atuação boa o bastante para ameaçar qualquer prêmio de Fernanda Torres (Tilda Swinton e Kate Winslet que fazem isso). Talvez não seja nem uma atuação digna de uma indicação a melhor atriz. Mas ela está divina, se comportando e se parecendo a diva que Maria Callas aparentemente foi.
Talvez ela seja o que ainda salva o filme. Maria Callas é tão belo e chato como se espera que um filme sobre ópera seja. O suficiente para ocupar os cinemas como a cinebiografia musical do momento até a película onde o Robbie Williams é um macaco estrear.