SALADA CAPRESE pomodoro é uma palavra legal

Coringa: Delírio a dois

Delírio a dois, sofrimento a três

Vamos começar do final: é ruim. Pronto, tiramos o elefante da sala. Ufa! Que alívio! Mas é por essa incrível e aprofundada análise que você deveria deixar de ver o filme do roteirista e diretor Todd Phillips? Claro que não! Acho que o ideal é você ir assistir ao filme e tirar suas próprias conclusões. Ó eu aqui fazendo o mesmo.

Agora vamos do início e sem grandes spoillers. Coringa – Delírio A Dois é um filme covarde (se segura!) pois acompanha um Arthur Fleck xoxo, capengo, manco, anêmico, fraco e inconsistente nos dias do seu julgamento pela morte do apresentador Murray Franklin (Robert DeNiro) e outras 4 pessoas – ou 5, mas que só o próprio Arthur sabe quem – levando o espectador por duas hora de um grandessíssimo NADA. É covarde por não seguir pelo caminho que o primeiro filme construiu: e se a gente transformasse o vilão em herói?

Mas e as músicas? E a Lady Gaga? E os trailers? Pois então, várias imagens dos trailers não estão no filme. A gaga beijando a mulher na escadaria do tribunal? Não está. O casal dançando na mesma escadaria? Tão pouco. O que será que essas cenas contavam e que não entraram na edição final!?

FOCO! VAMOS TER FOCO!? Diferente do roteiro do filme, vamos. Sabe como o Coringa encontra a Harley Quinn? Por acaso. Como a gente descobre sobre o passado dela? Por acaso. Como começam os musicais? Por acaso. Como os dois ficam juntos? Por acaso. Tudo é preguiçoso no roteiro e a história segue do início ao fim como um copo de café frio requentado por 2 minutos no microondas: no começo parece uma boa ideia, mas o sabor é horrível.

O musical nem é um problema. As músicas são boas, Lady Gaga e Joaquim Phoenix arrasam, os cenários e a filmagem são tudo em alto nível, mas a principal pergunta continua sem resposta: pra quê tudo isso? Se no primeiro filme seguimos a loucura de um palhaço fracassado virando um mártir incel do mal, neste o delírio é maior que a própria lógica ou arte. Claro que, sendo tudo um delírio entre o casal, nada precisaria se ancorar na realidade, mas nem realidade, nem delírio acontecem. Confuso? Pois é. A história tem a pretensão em ter tanta camada que nenhuma se resolve ou envolve o espectador.

Minha conclusão pela ruindade do filme (em todos os sentidos) é que Todd Phillips ficou com medo de
continuar venerando um ótimo vilão, que Lady Gaga fez o que pôde – e fez muito! – com o papel que lhe
deram e que o Coringa só é bom mesmo contra um herói, não contra outro vilão. Neste delírio coletivo,
sofremos todos.

Comediante, Roteirista, Diretor, e ator, conhecido pelo Jacaré Banguela na época que a internet era tudo mato.