SALADA CAPRESE churrasco sem vinagrete é inaceitável

Golpe de sorte em Paris

Uma amiga que vai a Paris agora no final do ano, me mandou uma mensagem perguntando o que eu lhe recomendava para fazer na cidade. “Ir embora”, disse eu. Apesar da frequente visão romântica da cidade, a verdade é que Paris é um saco.

A cidade, inegavelmente linda, é de uma chatice única. Nisso ela se torna o ambiente perfeito para desabrochar um romance entre Fanny e Alain, um casal fofo, mas insuportável. E o “fofo” com certeza se deve mais à beleza da atriz Lou de Laâge, de nome impronunciável e presença radiante.

Não é só o casal que enche o saco: todos os personagens são detestáveis, no mínimo em algum momento do filme, no máximo o filme todo. Composto de ricaços exuberantes, trocando conversas entediantes nas festas que ocorrem em salões hedonistas demais ou em caçadas, é impossível empatizar com qualquer um. A nobreza escorre tanto pelas cenas que me deixa a impressão que o filme seria muito mais agradável se a história se passasse em qualquer corte monárquica do século XVI.

As relações amorosas confusas já são parte integrante da filmografia do Woody Allen. E da vida também, já que ele foi recentemente cancelado por umas polêmicas bizarras, como as acusações de assédio da filha adotiva Dylan Farrow ou como o bizarro casamento dele com outra filha adotivaSoon-Yi Previn, que é irmã adotiva de Dylan Farrow. É uma relação estranha, tem uns flertes com incesto, é uma coisa muito “Game of Thrones”; ou talvez eu que seja muito careta e pouco moderno, mas sei lá, não parece certo você ir para um orfanato, adotar uma menina e depois casar com ela, ainda bem que ele não adotou o Stuart Little, ia ser incesto e zoofilia ao mesmo tempo.

Com tudo isso, parece que só restou ao cineasta mesmo mirar no público francês: os inventores do menáge devem ser mais libertinos com essas coisas. Por isso o filme em francês com o pessoal andando por aí em Paris, já que, para a história que foi contada, tanto faz a cidade onde se passaria o filme. O diretor nem se dá ao trabalho de explorar mais a cidade, mostrar uma torre eiffel, imigrantes árabes tomando café no meio da tarde, um mendigo mijando no metrô, a população queimando carros.

Falta França para ser francês e falta empatia para ser realmente interessante.

Autor:
Barão do Principado de Sealand. Com uma inexplicável paixão por cinema, cervejas e queijos.