SALADA CAPRESE já assistiu tomates verdes fritos?

A Substância

Depois de ter terminado de assistir “A Substância”, uma amiga me perguntou se eu tinha gostado do filme. “Não sei. Acho que não”, respondi. Eu realmente não sei, é tudo muito estranho. Em diversos momentos do filme, parece que os produtores tentam nos convencer que a Demi Moore é feia (fracassam, claro).

A duração do filme é um grande problema, por exemplo. Ele é longo demais e perde várias oportunidades de acabar, principalmente durante seu gigantesco terceiro ato, que vai ficando mais e mais grotesco. A certa altura, parece que o diretor simplesmente não sabia mais como terminar o filme e tacou o foda-se.

“O que a gente tem aí?”
“Ah, a gente tem esse resto de massa plástica e 6 tonéis de sangue falso.”
“Beleza. Separa pra mim que eu vou usar.”

E é isso. Soa como se o final fosse a punição à platéia por já ter aguentado duas horas de vísceras se reconstruindo e uma sonorização baseada em um maldito ASMR direto do inferno.

É claro que ele é um pouco mais profundo do que isso. Em toda a sua duração e em cada cena, o filme carrega toda uma metáfora bem interessante sobre envelhecer e uma crítica bem contundente (e um pouco hipócrita) sobre a indústria da beleza, mas é um subtexto que, no final, acaba soterrado demais em camadas de grotesco.

Pode ser pelo meu desdém ao gênero do horror, é claro, mas “A Substância” tem elementos bem posicionados para ser um excelente drama. Uma pena que fizeram um terror B.

Autor:
Barão do Principado de Sealand. Com uma inexplicável paixão por cinema, cervejas e queijos.