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O Corvo

Em 1993, enquanto gravava “O Corvo”, o ator Brandon Lee, filho do icônico Bruce Lee, morreu. Em uma cena em que o ator deveria ser alvejado por tiros, uma bala de verdade foi esquecida em uma Magnum 44 cheia de tiros de festim. Quando Michael Massee atirou, a bala perfurou o saco de sangue falso que Brandon Lee carregava e perfurou seu abdomen. Apesar de ser um ator, é notável e boa pontaria de Massee.

Lee foi levado para o hospital, porém não resistiu e faleceu. Foi uma tragédia que não devia se repetir em Hollywood (mas aconteceu novamente em 2021, com um tiro acidental de Alec Baldwin na diretora de fotografia Halyna Hutchins).

O filme acabou sendo finalizado (faltavam apenas três dias de gravações e as poucas cenas restantes de Brandon Lee foram interpretadas por seu dublê). A cena que ocasionou a morte de Brandon foi alterada para usar facas ao invés de armas de fogo, de forma que não restasse qualquer lembrança do terrível acidente. A fita da gravação da morte de Brandon foi usada no julgamento do caso e, posteriormente, todas as cópias foram destruídas como parte final do processo.

O Corvo, o original, lançado em 1994, foi um grande sucesso, sendo considerado o Magnum Opus da carreira de Brandon. Trinta anos parece muito tempo, mas é tempo suficiente para que a tecnologia de substituição da fuça de Brandon Lee em seu dublê fosse usada com sucesso e extrema competência na obra original.

Sendo assim, resta a questão: um remake é mesmo necessário?

Não, claro que não é. O primeiro filme, de 1994, nem filme era pra ser, já que ele foi desenvolvido como um musical estrelado por Michael Jackson. Talvez faltou um capricho da produção de pegar esse fiapo de informação e desenvolverem um musical, desta vez estrelado por Bruno Mars. Aí um projeto ousado.

Mas não. Hollywood preferiu pegar a estrela eternamente em ascensão Bill Skarsgård (nada contra ele, até curto) e meter ele no lugar do protagonista e encher o cara de tiro de festim pra lembrar a gente durante todo o filme que, “olha lá, se fosse o Brandon Lee, já teria morrido”.

Essa eterna e inevitável comparação com o filme original, nem tão antigo, nem tão datado, é evidentemente prejudicial sim; mas enquanto Hollywood teimar em ficar reciclando roteiro ao invés de escrever coisa nova, a gente vai continuar reclamando que o original lá atrás era bem melhor.

No final, Bill Skarsgård tá aí vivo e Brandon Lee parece que morreu por nada.

Autor:
Barão do Principado de Sealand. Com uma inexplicável paixão por cinema, cervejas e queijos.