Tal qual sitcoms, débitos universitários e carrinhos para pessoas obesas, os tornados são mais comuns nos Estados Unidos do que em qualquer outro lugar do mundo. Todos os anos, o país é visitado por cerca de quatro vezes mais tornados do que a Europa. São mais de 1200 tornados por ano.
São tantos que eles têm seu próprio caminho a tomar: a Alameda dos Tornados (tradução livre de “Tornado Alley”), uma faixa porcamente indefinida que atravessa bem o meio dos Estados Unidos de norte a sul, de South Dakota até Texas (e vice-versa). Como todo turista, os tornados também têm sua alta temporada e deixam tudo em frangalhos quando vão embora.
Os fenômenos vêm acompanhados de uma tempestade completa, com chuva, raios, ventos fortes e todas aquelas coisas que o Bob Dylan usa para escrever suas canções. Isso por conta das condições necessárias para eles se formarem: ocorrem quando duas massas de ar se chocam, causando uma super tempestade com ar subindo dentro de uma nuvem. Essas super tempestades podem ocorrem quando uma massa de ar frio entra em colisão com ar quente (ou qualquer coisa do tipo, como massa de ar seco se estranhando com massa de ar úmido). Geralmente aparecem no final da tarde, depois que o sol já esquentou o chão o suficiente para irritar a massa de ar frio que vem chegando. Como aprendemos na quarta série, o ar quente sobe, é resfriado pela massa de ar inimiga e desce novamente num formato circular horizontal, como um rocambole climatológico. Depois que esse cenário todo se forma, basta um peteleco de vento certeiro para girar esse tubo de vento para a posição vertical, criando um cone. A partir do momento que o cone toca o chão, ele pode ser chamado de tornado.
É um mérito deste parágrafo explicar como funciona um furacão sem usar termos como infuso, tampa da nuvem, vento ascendente, frente oclusa, ou mapa sinótico. O filme Twisters, que estréia 11 de julho é bem mais pernóstico e cheio de shenanigans científicos. Por mim, tudo bem, eu ouviria as mais rebuscadas baboseiras dos lindos lábios de Daisy Edgar-Jones (talentosíssima, como já deu pra ver na mini-série Normal People), do afinadíssimo Anthony Ramos (de In the heights, ou Hamilton, lembra dele?) e, principalmente do gostosão do Glenn Powell.
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O filme, aliás, é uma condensação da minha relação com Glenn Powell: Quando ele apareceu, eu simplesmente julguei que era um galã canastrão genérico, daqueles que Hollywood produz e dispensa um por ano. Porém, com o passar do tempo, você vai vendo que ele é um cara legal e de repente você não concebe que pode haver pessoas que não gostam dele. E o cara segue com 100% de aproveitamento na carreira – com uma grande ênfase neste ano, onde ele também manda bem demais em Assassino por Acaso e até naquela comédia romântica com a Sydney Sweeney.
Isso porque, sim: Twisters é legal à beça. Não só de efeitos e ação, mas tem uma história maneira, com arcos bem ajeitadinhos. Porque, no final, os verdadeiros furacões são os amigos que fazemos pelo caminho.