SALADA CAPRESE bloody Mary é melhor que gin tônica

Divertidamente

Eu assisti Inside Out na estréia européia do filme, durante o Festival de Cinema de Galway. Foi uma sessão inesquecível: o diretor Pete Docter estava na sala e fez um discurso todo bonitinho sobre o filme, contando um pouco sobre o longo processo de produção. Naquela época, a Pixar ainda era um estúdio considerado muito inovador, próximo da perfeição.

Talvez por conta desse retrospecto e das expectativas, o filme não me surpreendeu. Não que eu o tenha odiado: eu gostei bastante, mas lembro que achei uma dessas histórias-padrão-Pixar.

Revisitando

Dois anos se passaram, um relacionamento ruim aconteceu, eu mudei de país e as coisas finalmente estava se acertando na minha vida. Em 2017, fiz uma viagem ao Brasil: passei três semanas, entre trabalho, rever amigos, casamentos e festas. Dormia muito pouco, umas quatro horas por noite. Por conta disso, quando peguei o avião de volta, estava dedicado a dormir durante o vôo inteiro. Para ajudar no processo, coloquei o fone de ouvido e selecionei um filme bobo, qualquer coisa que eu já tivesse assistido, só para ter um barulho de fundo enquanto eu pegava no sono.

Escolhi Divertidamente. E chorei o vôo todo.

Isso porquê, em uma revisitada ao filme, eu percebi que não tinha entendido todas as nuances por trás da obra. Quando eu me toquei que Joy, a Alegria, era a vilã da história, ela passou a fazer um sentido totalmente novo e ainda mais lindo para mim.

Eu me senti estúpido por não ter entendido o filme da primeira vez, mas é um pouco essa a razão dele ser tão bom: ele tem um significado muito mais profundo que o lúdico deixa a entender (e o lúdico já deixa a entender um significado profundo o suficiente). Essa idéia final do filme, de que é possível criar emoções novas a partir da união das emoções básicas, não é só poética e fundamental para fechar o arco da personagem principal, como também é uma teoria séria da psicologia, de que sentimentos complexos são uma mistura em diversas proporções de outros sentimentos. Tem até uns gráficos na internet sobre quais seriam o resultado dessas emoções:

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Obra Prima

É justamente esse segundo olhar ao filme que fez com que ele ressoasse diferente para mim naquele momento. Depois de tantas coisas que eu tinha passado e tantas coisas positivas (a Alegria dominando aqui dentro), a lembrança delas me causava um peso levemente profundo por saber que tudo já havia passado. Essa mistura entre a alegria e a tristeza que é mostrada naquela bolota brilhante no final do filme: a saudade.

Já reassisti diversas vezes o filme desde então. Mas Divertidamente é o único que conseguiu me causar uma lembrança tão forte e boa da primeira vez que eu assisti e, o mais surpreendente, conseguiu revolucionar completamente a minha opinião (já positiva) sobre ele em uma reassistida.

Por isso ele é um dos meus Top 3 filmes da Pixar até o momento.

Autor:
Barão do Principado de Sealand. Com uma inexplicável paixão por cinema, cervejas e queijos.