SALADA CAPRESE frankly, my dear, I don't give a damn.

O cara da piscina

Numa era onde os cinemas são lotados de Chris (Pine, Pratt, Evans, Hemsworth), obter alguma relevância para o nome exige alguma diferenciação: seja colocar uma prótese nasal e sair pelo deserto em uma biga de motos, seja descolar um papel de dublador em toda animação que é lançada ou, como fez Chris Pine, criar sua própria versão de “O Grande Lebowski”, atuando e dirigindo no próprio filme.

O filme tem toda a pegada do clássico dos irmãos Cohen de 1998, mas sem nem metade do charme. Ele tem o personagem bizarro, rodeado de amigos caricatos e que se mete em uma perigosa investigação quase sem querer. Ele tem barba, sujeira e um ator bom andando por aí de roupão. Ele tem a paródia ao cinema noir que varia entre o sutil e o escrachado.

E não dá pra saber exatamente onde o filme se perde, porque ele falha em tudo um pouco: a edição é caótica, o roteiro é confuso e os diálogos são meio expositórios demais sem explicar nada (sei lá como). Tem referências demais a Chinatown (e óbvias demais), o que tira a sutileza da obra. Pine tem uma estréia fraca na direção; parece que ele só ambicionava tanto fazer esse filme porque ele queria se divertir horrores interpretando esse personagem – e ele aparentemente se divertiu mesmo.

Mas no final é tudo meio boboca.

Infelizmente, O cara da piscina acaba parecendo um baita potencial desperdiçado. E Chris Pine cai algumas posições no ranking de grandes Chris da atualidade.

Autor:
Barão do Principado de Sealand. Com uma inexplicável paixão por cinema, cervejas e queijos.